quarta-feira, 1 de março de 2007


TEM-QUE-IR

(ou em outras palavras: porque todo mundo se diverte tanto e se sente tão vazio)

Ainda bem. O ano começou. Vamos viver, acabaram-se os meses do TEM-QUE-IR. Você tem que ir para a praia no reveillon, você tem que ir para a casa de campo no meio do mês, você tem que ir para o "paraíso tropical" no final de semana, não interessam os mosquitos, a falta de grana, você TEM-QUE-IR. Está combinado. Malas prontas, repelente na mão, vá! Você tem que ir para o show do Rolling Stones, você tem que ver de perto o U2, você tem que se acabar ao som do Fatboy, você tem que ir naquela rave sensacional que começa às 6 da manhã, você tem que estar naquela festa chiquérrima com champagne e gente que não sorri. Sinto informar. Mas você TEM-QUE-IR. Não se sabe se o Bono Vox voltará ao Brasil, não se sabe se o Mick Jagger estará na "Satisfaction" daqui há alguns anos, não se sabe se a champagne do mundo acabará de repente, nem tão pouco sabemos se estaremos aqui. Então, calcule seu tempo. Você não tem escolha. Sua única obrigação é ir, se divertir, ser feliz, custe o que custar. Não tem essa de preguiça, falta de espaço, falta de vontade, trabalho, ressaca e um vazio que volta junto com a pilha de roupa suja. Todo mundo vai. Então, você TEM-QUE-IR. E tem mais: você TEM-QUE-GOSTAR. Pague 500 reais por um convite, enxergue a banda pelo telão, cante o único refrão que você sabe de cor e volte com aquela decepção inconfessável no peito. Não, você não teve decepção alguma. Você A-D-O-R-O-U! Tudo bem que agora você está no vermelho, você quase entrou numa briga, perdeu sua afilhada no meio da multidão e na música que você mais gostava um psicopata vomitou em cima do seu pé. Mas quem importa? Seu amigo amou, a mídia amou, o mundo amou. Então você também amou. Ou será que você tem algum problema? E o TEM-QUE-IR não pára, a diversão te chama. A mala fica pronta debaixo da cama, a pele descasca mas você não perde a cor. Afinal, é carnaval. E você TEM-QUE-IR. Você tem que sambar, tem que beber, tem que perder o juízo, tem que se jogar, tem que beijar, tem obrigação de ser feliz durante 4 dias e 4 noites para contar timtim por timtim quando a festa acabar. Acabou? Ainda não. 4 dias tornam-se 8. Você tem que saber o que é Psirico, cantar de cor um funk que rima cuscuz com avestruz, pagar micos homéricos, ver a Carla Perez de entrevistadora e cair na avenida sem parar de pular. Cansou? Ufa! (Eu cansei sem sair do lugar...). Mas chegou a tão sonhada quarta-feira de cinzas! O TEM-QUE-IR deu um tempo (pelo menos por enquanto), haja saúde, dinheiro, paciência e dor na consciência de TEM-QUE-IR tanto, sem TER-QUE-SER nada. Se a diversão virar obrigação, vai chegar um dia em que a gente vai achar que felicidade é IR e não SER. E vai ter certeza que viver se resume ao próximo final de semana, ao próximo feriado, ao próximo show, à próxima viagem. (Vazio, não?) Eu não quero isso. Também não quero ser moralista. Muito pelo contrário. Vejo pessoas nesse ir-e-vir e o que enxergo é muito cansaço por pouco sorriso. Diversão não é sinônimo de felicidade. Mas pode ser. Basta se encontrar antes de sair. Aí não é preciso pular de galho em galho, de festa em festa, qualquer lugar é lugar, sua identidade (e seus desejos) já valem o ingresso. É a garantia de um "Beautiful Day", ao vivo, dentro de você.

UM FELIZ COMEÇO DE ANO PARA TODOS!

2 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

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