sábado, 27 de março de 2004


PROTESTO: CONTRA A BRINCADEIRA DO TELEFONE-SEM-FIO!

Sabe quais as brincadeiras que mais me irritavam quando pequena? Passa-anel e Telefone-sem-fio. Passa-anel porque todo mundo que ganha o anel sempre fica com aquele ar de novidade na cara. Nunca vi ninguém que ganhasse o anel e permanecesse na roda com ar de "não-aconteceu-nada". Mas isso são só lembranças. Recordações de uma menina que queria fazer 18 anos e estudar oceonografia em Arraial do Cabo. A história de hoje é outra. A menina cresceu. Brincou de passa-anel com as primas pequenas e fez todas as "caras de novidade" que lhe foram possíveis. Descobriu que o mar era misterioso e cursou Publicidade e Propaganda. Palavras traziam - até então - mais segurança que a profundidade do mar. Bonito, né? (Tudo mentira!) Não estudei oceonografia porque tinha 17 anos e queria na verdade sair de casa, morar na praia e virar surfista. Ainda bem que meu pai me impediu. Sempre tive medo de tubarão, não sei nadar direito e realmente tenho um respeito enorme por tudo que é água nesse mundo. Mas o que realmente me impressiona nos dias de hoje é que a tal brincadeira do Telefone-sem-fio me acompanha. Só que não é mais brincadeira. É real. E talvez seja mais perigoso que tubarão e que fundo do mar. E funciona mais ou menos assim: uma história (que pode ser verdadeira ou não) começa em algum lugar e vai passando de boca em boca. De ouvido em ouvido. Em cada pessoa que chega, perde um pouco do enredo, ganha mais ficção. E os personagens mudam, o roteiro ganha vida própria e - quando você vê - a história da sua vida virou uma história que você nunca viveu. Convenhamos: nada pior que uma história mal-contada. Nada pior que descobrir que o Lobo Mau era bonzinho e a velha história da Chapeuzinho Vermelho não passa de uma farsa para esconder a personalidade cruel de uma neta insensível que mata a própria vó para ficar com a herança. Você pode rir (eu estou rindo agora). Você também pode achar maldade ou falta do que fazer. Mas é isso mesmo. O problema do Telefone-sem-fio está quando os personagens são reais. Não é legal quando você vê que é a sua vida (ou a vida de alguém que você gosta) que está no jogo. Pessoas não são personagens. Têm sentimentos, tem suas vidas, tem histórias escritas por elas mesmas. (E eu que passei a vida inteira temendo tubarão...)

Olha a mordida que a palavra me deu!


Ps: Desculpem o texto-desabafo. Eu odeio fofoca. Eu odeio Telefone-sem-fio. Descobri que virei personagem de histórias que eu não vivi e precisava registrar o meu protesto!

0 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

Anuncie aqui!