sábado, 30 de junho de 2007


SPICE GIRL

(porque nós, mulheres, fazemos coisas insensatas e acreditamos em sinais, homens e propagandas de shampoo)

Que as mulheres são inteligentes, ninguém duvida. Existem grandes exceções, é claro. Mas - acredite se quiser- grande parte já foi absolvida por Deus. (Ou pelo Diabo). Afinal, nós temos hormônios. Trabalho. Jornada dupla. Salão às seis. Uma pia enorme de louça suja. Família. Amigos. Depilação na hora do almoço. Um cartão de crédito que nos prega sustos. Uma sociedade que valoriza a juventude e a perfeição. Amores por quem matamos e morremos. Um cabelo que nos consome grande parte do tempo. E - no meu caso - uma necessidade de escrever que me come por dentro. Se eu não estiver escrevendo e lendo (no meu gerúndio literário sem fim) pode apostar: estarei nervosa. Louca. Com a pele opaca. E um mau humor dos infernos. O bom de tudo é que a gente pode ficar sem uma unha sexy e usar o tempo que sobrou para ler. Ontem eu fiz isso. (E hoje também: abaixo a ditadura das unhas perfeitas!). Li um livro em uma só vez, tamanha diversão que ele me trouxe. A autora desta delícia é a jornalista Leila Ferreira. E o livro se chama: "Mulheres: Por que será que elas...? O título já dá uma prévia. É diversão garantida. Leila não tem medo de ser rotulada de fútil, maluca, vazia. E ela não é. Muito pelo contrário. Ela é inteligente, sensível e mostra o que todas nós somos, antes de sermos. MULHERES. Assim. Sem censura. Com nossa lógica tão ilógica. (Mas perfeitamente racional para nós mesmas). Me encontrei em cada frase. E pensei: "Ô meu Deus, como somos tão iguais, mesmo nos mostrando tão diferentes". E o livro abriu minha percepção para a coisa. ESSA COISA MALUCA DE SER MULHER. Pra começar, eu acredito em tudo. Vou falar a verdade. Eu acredito mesmo. Acredito em propaganda. Acredito em homem. Acredito em vidente. Taróloga. Em vendedor de amendoim. Acredito em simpatia. E acredito realmente que o creme Spilol da Natura deixa minha pele 78% mais saudável. EU ACREDITO. E ponto. Quer mais um exemplo? Comprei um shampoo polivitamínico para fortalecer meus cabelos. Uma espécie de Centrum capilar. Mesmo sabendo que cabelo (depois que passa da raiz) é morto e não absorve vitaminas. Mas quem quer saber de biologia? Eu não! Eu só quero ficar com o cabelo igual ao da moça da revista, dá licença? É meio maluquice. Eu sei. Sou inteligente, nunca perdi média na escola e acho que nós, mulheres, realmente pensamos de modo DIFERENTE quando se trata de amores, beleza, compras e FUTURO. Ai, futuro então, nem se fala. Eu sou daquelas que abrem livros para encontrar "sinais". Digo que não acredito em horóscopo (mas leio, por via das dúvidas). Pergunto o signo das pessoas. E - quando o bicho pega - eu apelo pro além. Pro oculto. Pra São Judas. Pra Cabala. Pros livros de auto-ajuda. Pro tal "Secrets". E outro dia eu estava assim. Sem dinheiro. Sem perspectiva. Cansada de fazer, fazer e não ver retorno. E lá fui eu... Numa moça que trabalha com energia, numerologia e calendário maia. Ela é realmente muito boa no que faz (eu acredito!) e no final da consulta ela me recomendou: faça um escalda-pés com pimenta dedo-de-moça para melhorar sua vida profissional! Pensei com os meus botões: mole pra mim! Para uma pessoa que já tomou banho de feijão fradinho e ficou cheirando acarajé, colocar os pés numa bacia com pimenta é a coisa mais tranqüila do mundo. Pois bem. A hora era essa! Queria esquentar minha vida no trabalho. Apimentar minhas finanças. Mas surgiu a dúvida: quantas pimentas eu precisaria para fazer o tal ritual? Eu não lembrava. Mas sempre achei 7 um número mágico. E resolvi: cortei 7 pimentas dedo-de-moça, coloquei numa panela e esperei. Pimentas alegres pulavam na água que começava a ferver. Fiz uma espécie de meditação, agradeci por tudo o que tenho e pedi o que eu preciso (na vida, eu sou cara-de-pau mesmo. Eu peço e dou trabalho). Passado alguns minutos, vi que chegara o momento: COM ESSAS PIMENTAS, NADA VAI ME DETER. Ri sozinha da minha loucura mansa e joguei a poção do sucesso numa bacia antiga. Coloquei timidamente meus pezinhos dentro dela e senti: humm, uma sensação de calor. De sucesso. De vitória. De 50 músicas gravadas. De Livro lançado. Colunas em revista. Conta-corrente recheada. Viagem com meu amor. Um tour pelo shopping. Presentes para minha família. Tranqüilidade financeira. Reconhecimento profissional. (Ai, como eu amo essas pimentas flamejantes!) Depois de meia-hora de surto, O SUSTO: os meus pés estavam diferentes. Vermelhos. Vermelhos, não. MUITO VERMELHOS. Pés-escarlate. Imaginou? Eu me sentia o próprio pé de dedo-de-moça!! E ardia. Ai, como ardia! Fui depressa lavar. Fiquei em dúvida se poderia passar sabonete, afinal eu não iria correr o risco de atrapalhar meu escalda-pés do sucesso. Mas passei um sabonete NEUTRO bem de levinho, enxaguei e fui deitar. Mas meus pés estavam em chamas. BURNING. Eu não conseguia dormir, nem pensar (só sentir), e fiquei imaginando se uma inofensiva pimentinha poderia provocar queimaduras iguais as do sol. Foi aí que tive uma brilhante idéia: passar pomada para queimaduras, ORA BOLAS! E fiz isso. Bingo! O tal Paracetamol tirou o fervor que estava em mim. Anestesiou. Acalmou os ânimos dos pés ardidos e serelepes. E, assim, dormi. Satisfeita. Quando acordei, liguei, animada, para a minha irmã. E disse: "Fá, minha vida profissional vai mudar. Se prepara! Palavra de mulher".

(É, mulher é um bicho esquisito. Quando a gente cisma - seja com uma blusa, um namorado ou um ritual - fazemos coisas que até Deus duvida.)



8 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

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