sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006


DECLARAÇÕES: JURAS E JUROS

Pensem o que quiserem, mas nasci assim: não gosto de cobrança. Por isso, pago meus impostos, declaro (quase) tudo o que penso, deixo minhas intenções às claras para quem quiser ver. Ouvir. E conferir. Outro dia liguei os fatos. Por puro descuido, errei na declaração do imposto de renda. Se existe um jeito certo? Nem me pergunte. Tudo muito burocrático, cheio de formulários, recibos, uma retrospectiva de papéis e números que a gente só lembra quando vê. A punição? Senhas, filas que não acabam, atendentes de cara feia, informações distorcidas, desconfiança de uns, ajuda de outros, uma multa gigantesca que me fez ajoelhar, chorar e pedir ajuda aos céus. Se no governo você tenta agir certo mas por mero acaso você esquece um recibinho de nada, prepare-se! Coloque seu maior óculos, jogue o cabelo na cara, você é uma sonegadora, uma cidadã desonesta, caiu na malha fina, vai aparecer no Jornal Nacional e dividir a cela com a dona da Daslu (que obviamente não estará na cela porque é a dona da Daslu). Mas voltando... Na receita federal não existe: xi, esqueci... Não existe estar escrito nos seus belos olhos que você não entende bulhufas de contabilidade, que sua vida é escrever, vê lá se você vai se preocupar se o plano de previdência privada estava ou não enumerado com os outros milhões de informações que a declaração pede. E a declaração ainda fala: modelo simplificado. Imagina se não fosse? É assim, nada simples, um errinho de nada pode sair tão caro que você vai ter que dividir em 60 vezes. Com juros e lágrimas. Desespero à parte, foi quando me veio a dúvida: no governo e no amor só muda o formulário. Será? É, pessoal, ajoelhou tem que rezar. Amor também guarda recibos, declarações, juras, uma pá de palavras ditas (e não ditas) que você vai ter que prestar contas mais cedo ou mais tarde: "Você não disse que se mudaria de cidade comigo?" (Ver declaração do dia 12, favor retificar-se agora ou tirar o time de campo.) "Você não jurou que aquele cara era só um conhecido?"(Olhar com atenção o recibo, não tem como voltar, a ordem é aguardar, chamar testemunhas e esperar a sentença final da justiça. Ou melhor, a decisão do amor da sua vida). É gente. Difícil demais viver onde todo mundo confia desconfiando. Cobranças de um lado, retificações de outro, multas por todos os cantos do planeta, o inocente vira criminoso, o criminoso sai sem punição e por aí vai. Uma falência econômica e emocional que cansa e desanima. Por isso, cuidado. Consulte sempre um contador, um advogado, um psicólogo, um oráculo ou seu coração quando preciso. Tirando o governo, dizem que a justiça tarda mas não falha. Eu acredito. E aguardo.

0 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

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