ELE, O TELEFONE


(por que coisas tão pequenas deixam a gente tão doida?)

Eu não gosto de telefone, nunca gostei. Quer falar comigo? Me mande um e-mail, uma carta registrada, um fax, uma mensagem no celular. Sinto muito, gente. Meu negócio não é falar, é escrever. Acho chato, me aborrece, minha sobrancelha vai lá em cima toda vez que o aparelho toca. Nada pior que ouvir o telefone tremer e aquela voz metálica acusar: you have a message! Meu Deus do Céu, ela ainda fala inglês? Ah, não, não e não. É um absurdo uma coisa tão pequena vir me torturar dentro da minha própria casa. Tenham todos a Santa Paciência!

Eu sou daquelas pessoas que, por fora, parece estar a um passo do futuro. Tudo mentira. Eu odeio gente que liga pra bater papo em horário comercial, acho V3 nome de exterminador e o dia mais feliz da minha vida foi quando meu celular caiu dentro da privada. Mas minha felicidade foi rápida, admito. Em dois dias a operadora me enviou um modelo novo, com minutos grátis para falar com quem quiser! (...) Ah, batam palmas para a modernidade! Agora eu tenho créditos acumulados para falar com o mundo todo, sem pagar nada. (Não é ótimo?). Não, gente, não é. Me mandem uma camisa-de-força, um ótimo terapeuta, florais de Bach com ação intensiva... A verdade é que eu não gosto de falar ao telefone e fico PROFUNDAMENTE irritada quando ele resolve tocar no meio da minha melhor frase. O que acontece? Vocês querem mesmo saber? Acontece isso que vocês estão lendo. ISSO! Perco o rumo, a rima, o prumo, a compostura, fico doida de dar dó.

Estava eu aqui há meia hora atrás, calma como manda o figurino, escrevendo um texto que lentamente tomava vida própria quando – de repente – um trim me tirou da história. O motivo? Nada importante. N-A-D-A. (Porque quando é importante a gente não se abala, afinal a vida é assim). Mas ligar às 14 horas de uma segunda-feira para falar abobrinhas, reclamar da vizinha e fofocar sobre gente que eu nunca vi... Ah, pessoal, realmente não dá! Olha a crise mundial, olha a crise emocional, olha os terremotos no Chile, o quase Tsunami no Hawai... Olha o mundo girando sem parar enquanto você está dependurada no pobre aparelho...

Por isso meu pedido de hoje é estranho, neurótico e vai dar muito pano pra manga: VAMOS DAR UM BASTA NO USO INDISCRIMINADO DO TELEFONE. Me chamem pra tomar um café, me mandem um e-mail, uma carta, um SMS ou uma mensagem telepática... Me mandem o que quiserem, mas por favor: não me liguem. E, se eu não atender, não alternem ligações para o celular e o telefone de casa. Gente, NÃO FAÇAM ISSO! Além de me sentir culpada (é, acreditem: uma chamada não atendida me traz meio dia de culpa), eu vou pular o capítulo, deixar fugir a letrinha, escrever textos bizarros como esse e – ainda – mostrar meu pior lado que, convenhamos, não tem nada de estimulante.

ESTAMOS CONVERSADOS?


 
PS: ESTOU DE TPM. Obrigada pela compreensão.

66 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

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