Passe Livre

Coluna Igor Pereira




QUANDO ESCREVO, É PORQUE JÁ NÃO CABE MAIS DENTRO DE MIM


Desde um certo tempo, faço minhas anotações em meu caderno de “confissões”. Creio que todo mundo sente essa necessidade de colocar uma imensidão de palavras carregadas de sentimentos numa folha branca. Porém, tem certas histórias inacabadas escritas nele… Quando uma história já não cabe mais ser lembrada, é melhor partir para outra história ou virar a página? Esse partir para, me faz recordar a maiêutica socrática – o parto de ideias. Partir dói e nós aprendemos desde cedo a conviver com a despedida. E quem aprendeu a se despedir, levante a mão. Bem, eu busco refúgio nas letras do meu caderno e esse “partir” por vezes, me dá vontade de “tomar doril”- como dizia minha avó- tomar um chá de sumiço. É verdade, sumir um tiquinho só.. Folheando suas páginas, encontrei um divino texto intitulado ‘Prece’, que escrevi há exatamente dois anos atrás: 

“Um dia eu quero me perder em você como as matas da floresta amazônica deixaram-se fecundar pelo sangue dos indígenas. Quero ficar cego na tua loucura, deixando que a noite clareie sobre mim, cintilante como o brilho da lua cheia. Desejo fazer da tua alegria a minha leveza de criança, de poder brincar, jogar bolinha de gude e pular corda. Qualquer dia desses, eu quero poder viajar no teu aconchego, como um pássaro livre no céu azul, e ter esse vigor que há na cor dos teus olhos. Quero possuir-te como as pinturas de Leonardo da Vinci e morar no teu encanto. Quero poder colher flores de primavera que em teu ser desabrocham em mim o prazer do absoluto. E finalmente, quero a minha vida em ti vivida, para que na partilha, no cuidado, no amor e na amizade, toda saudade seja extinta com a presença forte e marcante, numa entrega feliz que eu chamo de eternidade.”

Esse caderno é extensão da minha memória inundada de lembranças, de tudo aquilo que eu senti, vivi, experimentei em determinados momentos desses tempos pra cá. A potência está na força das palavras, daquilo que eu não entendo, das recordações e sentimentos mais intrépidos. E tudo isso segue registrado minuciosamente. Sem esquecimento. Mas seria bom mesmo que a gente perdesse a memória em algum lugar, para outra pessoa, pelo menos uma, se lembre da nossa pequena existência.


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