VOZES DO VERBO


"Vem, se te interessas, posso mostrar-te”.
 (Rumi)

foto: Alessandra Duarte

Eu estava perdida. Perdida em uma cidade enorme. Perdida em um desejo enorme. Perdida em letras. Sem planos. Sem motivos. Sem nada no bolso, nem no coração.

Então eu me apaixonei.

Me apaixonei por aqueles olhos. Olhos que me olhavam e pediam. Em silêncio. Vai, leva, foge comigo do mundo. Me deixa mergulhar nesses olhos, faça de mim sua vontade, me leva pra terra e pro céu, mas não me deixe sozinha aqui.

Não agora.

Lindo! Esse era o problema. Ele era lindo, louco e escrevia melhor do que eu. Vem cá, onde é que você estava? De onde você tirou essa poesia toda?

Lindo.

Eu não conseguia pensar. Não conseguia escrever. Eu não conseguia dormir, nem comer, nem chorar. Lindo! Noites passadas em claro, roupas sem passar, garrafas pelo chão, trabalhos perdidos, todo o juízo na lata do lixo.

Não, não.

Eu não poderia ser o que eu era. Não poderia voltar pra mim depois de olhar para aqueles olhos e ver aquela boca dizendo coisas lindas que eu não posso revelar.

Lindo aquele silêncio que tanto dizia.
Lindo aquele olhar que economizava palavras.

Meu dia começava, minha noite não tinha fim. Eu não sabia mais quem eu era, mas gostava de mim.

Me leva pra sua casa na praia, escreva bobagens na areia, me conte alguma mentira, mas, por favor, não me deixe ser quem não sou. Não me deixe estar sem você. Não me deixe ficar sem olhar pra esses olhos que tudo dizem e nada prometem. Não agora...

Estávamos surpreendidos por nossas próprias palavras, coladas umas às outras. Éramos letras. Frases sem ponto, vírgula, sem acento, sem vergonha, sem censura, sem fôlego, sem fim.

Éramos frases com sentido,
TAMANHO NOSSO DESEJO
De fazer história.

(Viramos música.)

2 Fala, coração!:

 

Dia 03 de dezembro tem Gabi Mello!

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